07/11/2017 - TEMA: Custos de Produção na Pecuária

POLÍTICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS DE PRODUÇÃO NA PECUÁRIA - PARTE 2


Para avaliar economicamente a pecuária a conta é bem simples: da Receita Total retira-se os Custos Totais e as Despesas, calculando-se a Margem Líquida do empreendimento. Portanto, o Custo Total é um dos parâmetros de maior importância na avaliação econômica.

Por isso, quando é implantada uma política de redução de custos, seja em uma empresa seja em uma propriedade rural, na grande maioria das vezes o Custo Total de Produção é o foco principal do gestor. O esforço está na redução do Custo Total, cortando tudo que é possível e, muitas vezes, até o que não é possível.

Porém, é extremamente importante avaliar o Custo Unitário do Produto, e não só o Custo Total da atividade como é comum. A avaliação do custo unitário ajuda a dar uma visão muito mais adequada dos resultados econômicos da atividade.

Redução de Custos de Produção na Pecuária

Você deve estar se perguntando: “mas se eu reduzir o custo total logicamente eu vou reduzir o custo unitário, então não faz diferença, certo?” Nem sempre... Aliás, se não forem tomados os devidos cuidados, o comportamento pode ser o inverso, causando uma subida do custo unitário. O custo unitário está ligado à produção total, que, por sua vez, é fortemente relacionado ao desempenho produtivo do rebanho, aos índices de eficiência. E se recursos importantes que impactam a eficiência do rebanho forem cortados, o resultado poderá ser uma queda na produção. Avaliando somente o Custo Total, a política de cortes aparentemente obterá sucesso, mas o resultado econômico será pior.

Acompanhe um exercício de cálculo bem simples: considere um rebanho produtor de leite cujo custo total seja de R$ 40.000,00 por mês, e produza 30.000 litros no mesmo período. O custo unitário do litro de leite produzido será de R$ 1,33. Suponha que seja implantada uma política de redução de custos que consiga reduzir o custo total em 10%, ou seja, para R$ 36.000,00, mas que tenha sido executada de forma inconsequente, comprometendo a produtividade do rebanho. Suponha que os cortes afetaram a eficiência, reduzindo a produção mensal para 24.000 litros. Então o custo final do litro de leite será de R$ 1,50. Um valor maior por litro de leite devido à uma menor produção total. Ou seja, “o tiro saiu pela culatra”, a situação ficou pior, pois, além da produção cair, a margem líquida unitária será menor.

Agora outro pensamento surgiu em sua mente: “mas isso é óbvio, ninguém em sã consciência faria uma besteira dessas, certo?” Errado... Isso é muito comum de acontecer. Logicamente o exemplo foi muito óbvio, para ser ilustrativo, mas na maioria das vezes o resultado negativo acontece em pontos bem mais difíceis de serem identificados. A queda na produção de leite dada como exemplo é um ponto muito claro, facilmente o produtor o enxerga. Mas os resultados ruins poderão acontecer em aspectos menos gritantes, como, por exemplo, um leve aumento na repetição de cios, um aumento do número de matrizes em anestro pós-parto, uma redução do período de lactação médio, ou um pequeno aumento da incidência de doenças e mortalidade no rebanho. Os pontos de comprometimento podem ser os mais variádos, de forma quase imperceptível a quem não está atento e não tem o controle total do rebanho. Porém, mais cedo ou mais tarde, a conta será cobrada, a queda na produtividade causará o aumento do custo unitário de produção.

Mas é importante também estar atento a outra situação que pode acontecer: mesmo com a redução do Custo Unitário que vai gerar um aumento da Margem Líquida por Unidade Produzida, se houver uma redução considerável da produção, a sua Margem Líquida Total poderá ser comprometida. Considerando o mesmo exemplo do rebanho leiteiro, produzir 30.000 litros de leite com uma margem líquida de R$ 0,20 por litro é melhor que produzir com uma margem de R$ 0,22, porém um total de 24.000 litros. No primeiro caso sua Margem Líquida Total será de R$ 6.000,00, maior do que no segundo caso que será de R$ 5.280,00. No final das contas, a conta toda se resume em quanto dinheiro sobra no bolso do produtor.

Por outro lado, imagine uma situação em que o modelo de produção tenha sido melhorado, os recursos foram mais bem alocados, as técnicas de produção aperfeiçoadas, e com isso alcançou-se um aumento de eficiência. A produtividade aumentou. O Custo Total de produção se manteve ou, talvez, até tenha aumentado um pouco. Porém, com o aumento da produção, houve uma redução do custo unitário e a Margem Líquida, tanto a unitária quanto a total, aumentaram. Esse é o objetivo de uma verdadeira política de redução de custos!

Percebam que a visão de uma política de redução de custos deve ser bem pensada. Não se pode ir cortando gastos sem um estudo minucioso da situação e achar que os resultados serão melhores. Esse pensamento ajuda a mudar o conceito de “Programa de Redução de Custos” para “Programa de Aumento de Eficiência Técnica e Econômica”. É sobre isso que será tratado nas próximas partes deste artigo, o aumento do desempenho técnico associado à redução de custos e aumento da eficiência econômica.

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Se ainda não leu, leia a parte 1 do artigo Redução de Custos de Produção na Pecuária

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