19/03/2014 - TEMA: Melhoramento Genético em Ovinos

MELHORAMENTO GENÉTICO PARA RESISTÊNCIA À VERMINOSE EM OVINOS – PARTE 1


A verminose é um dos maiores problemas existentes na criação de ovinos, sendo causadora de grandes prejuízos com gasto com medicamentos, baixa eficiência zootécnica de rebanhos acometidos e alto índice de mortalidade observados.

Grandes esforços são empreendidos por laboratórios e institutos de pesquisa em busca de formas eficazes de controle dos helmintos, em sua grande maioria, baseando-se em uso de anti-helmínticos. Outros esforços são direcionados na adequação do manejo do rebanho em função do problema, gerando, às vezes, cuidados excessivos por parte dos criadores, como aplicação de vermífugos em intervalos muito curtos, realização de exames diagnóstico com frequência, gastos elevados com a manutenção de um ambiente livre de helmintos, entre outros.

Não é a idéia deste artigo condenar todas as formas de controle praticadas atualmente, nem orientar que os criadores deixem de aplicá-las em seus rebanhos. A intenção é chamar atenção para o fato que muito se faz para controlar o problema, e muito pouco é feito para eliminá-lo totalmente das preocupações dos técnicos e criadores.

Pensando dessa forma, a seleção de um rebanho resistente à verminose colocaria de vez uma pedra sobre este problema, aliviando a propriedade de uma enormidade de ações que são feitas rotineiramente no intuito de controlá-lo, mas que na verdade estão contribuindo para a sua perpetuação.

A resistência aos helmintos pelos ovinos possui uma herdabilidade que varia de 0,3 a 0,5 (AMARANTE, 2004), considerada alta, o que significa que tem caráter genético, é transmissível dos pais para suas progênies. Estes valores são similares aos de caracteres ligados à produção, como ganho de peso, produção de lã e morfologia de carcaça, características que tem sido selecionadas com sucesso em progamas de melhoramento genético de ruminantes.

Alguns autores (SRÉTER et al., 1994) verificaram que animais da raça Merino selecionados para Haemonchus contortus também apresentavam resistência para Trichostrongylus colubriformis, indicando que a seleção de animais resistentes para uma determinada espécie de helmintos melhora a resistência cruzada a outras espécies. Ou seja, mesmo que o trabalho de seleção seja direcionado para uma espécie de vermes, o resultado obtido servirá para todas. Essa informação é especialmente útil quando se utiliza o método Famacha para identificar os animais resistentes/resilientes, pois o método é específico para identificar animais acometidos por H. contortus.

Além disso outros estudos (Woolaston et al., 1992) demonstraram que não há evidências de que os helmintos se adaptem aos ovinos resistentes asim como se adaptam aos vermífugos, o que torna a seleção de ovinos resistentes/resilientes uma ação definitiva de controle. Um animal resistente/resiliente sempre o será. Já um vermífugo que funciona hoje para o seu rebanho, mais cedo ou mais tarde não terá eficácia.

Portanto, verifica-se que é altamente viável direcionar parte do esforço no controle da verminose para a seleção de um rebanho resistente, através de técnicas de melhoramento genético. Certamente implicaria em menores gastos com vermífugo, retardamento do desenvolvimento de resistência às drogas pela população de helmintos e maiores índices de produtividade no rebanho, proporcionando um grande impacto econômico na atividade.

Nas próximas partes deste artigo são abordados mais detalhes sobre o melhoramento genético para resistência à verminose na criação de ovinos. Siga para a parte 2.

Nelson Bernardi Júnior
MSc Médico Veterinário
Pecuária Brasil Assessoria


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Palavras chave: melhoramento genético, ovinos, resistência, verminose, pecuária, rebanho, método FAMACHA, OPG.


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