27/11/2016 - TEMA: Criação de Gado de Corte

INTERVALO ENTRE PARTOS EM GADO DE CORTE


Continuando a explorar o tema “Alta Performance na Pecuária de Corte”, trataremos neste artigo sobre a Eficiência Reprodutiva em Estação de Monta, com um destaque especial para o intervalo entre partos.

Bezerros mestiços Nelore X Angus

Já discutimos em outros artigos sobre a importância e o impacto deste fator na rentabilidade da atividade. A matemática é simples: quanto mais bezerros produzidos por ano melhor, maior a rentabilidade. Falamos bastante em outros artigos sobre a importância do Intervalo entre Partos como um dos principais índices indicativos da eficiência reprodutiva. Na pecuária de leite é muito clara a importância de buscar um Intervalo entre Partos mais curto, mas na pecuária de corte, principalmente quando se usa estação de monta, este índice muitas vezes é indevidamente desconsiderado.

No processo de estação de monta é definido um período do ano onde as vacas são expostas aos touros, ou no qual são realizadas as inseminações artificiais. Normalmente a época mais propícia é durante primavera/verão, e, regra básica, a estação dura em torno de 4 meses. Neste período o pecuarista busca emprenhar o maior número possível de vacas e novilhas, tendo como objetivo principal a Taxa de Prenhez. Este índice indica quantas vacas ficaram gestantes ao final da estação. Um índice aceitável seria em torno de 80%, e um índice muito bom em torno de 90%, o que quer dizer que a cada 100 vacas colocadas em monta, 90 ficaram gestantes. Normalmente o pecuarista e o técnico visualizam este índice como principal indicador do sucesso da estação, e não estão errados, pois, como falado no início, o que importa é o número de bezerros produzidos no ano.

Porém, numa visão um pouco mais detalhada do desempenho na estação, temos que avaliar outros aspectos. A taxa de repetição de cios, a taxa de mortalidade embrionária precoce, entre tantas outras também são importantes. Mas, como dito no início do artigo, vamos falar um pouco mais do intervalo entre partos.

Suponha que a estação de monta seja estabelecida nos meses de novembro a fevereiro. Suponha ainda que o intervalo entre partos do rebanho seja de 13 meses. No caso em tela, as vacas que no primeiro ano ficarem gestantes no mês de novembro, ficarão gestantes em dezembro do ano seguinte, em janeiro do terceiro ano, e em fevereiro do quarto ano. No quinto ano falharão pois não tiveram tempo hábil para emprenharem antes do final da monta. A cada 5 anos 1 falhado, o que gera uma Taxa de Prenhez de 80%. Se o intervalo entre partos for de 14 meses este quadro será pior ainda. A cada 3 anos 1 falhado, o que proporciona uma Taxa de Prenhez de 66%.

Em outras palavras, o Intervalo entre Partos está intrinsicamente relacionado à Taxa de Prenhez. Quanto maior o IEP, menor a Taxa de Prenhez. É um detalhe que na maioria das vezes passa despercebido.

Muitas vezes o técnico ou pecuarista, prevendo uma baixa Taxa de Prenhez acaba tomando uma decisão para encobrir a falha, enganando a si mesmo: prolonga por mais um ou dois meses a estação de monta para dar tempo de emprenhar mais vacas. No final, calcula os resultados e mais uma vez somente avalia a Taxa de Prenhez. Provavelmente, com esta medida, a Taxa de Prenhez almejada tenha até sido alcançada, a avaliação é de que a estratégia adotada foi vitoriosa. Mas o que aconteceu é que o intervalo entre partos se manteve alto e a baixa eficiência reprodutiva foi mascarada.

Outra medida que também é bastante adotada para mascarar uma baixa eficiência reprodutiva é atrasar toda a estação de monta. Atrasa-se o seu início e o seu término em um mês ou mais. É uma forma de ajustar o sistema de monta ao alto intervalo entre partos. No final obtém-se uma Taxa de Prenhez razoável, mas também com um alto intervalo entre partos, mascarando mais uma vez a baixa eficiência reprodutiva.

Estas decisões podem até trazer um resultado satisfatório em curto prazo, mas já no ano seguinte o trabalho será comprometido. Para tentar reduzir novamente o período de monta, ou voltar a executá-las nos meses normais, terá que reduzir o intervalo entre partos para bem abaixo do que era antes. E se já estava difícil antes, fica mais difícil agora. Então o que foi uma medida provisória naquele ano passa a ser adotado em todos os subsequentes. Esse ciclo vicioso resulta em uma consequência que acredito que muitos de vocês já sofreram ou já viram acontecer: a bomba vai estourar e, em algum ano, a Taxa de Prenhez vai ser uma lástima. A maioria das vacas vai falhar e a culpa vai ser colocada em algum outro fator, como a falta de chuva, a falta de pasto, o sal mineral utilizado ou alguma doença. No ano seguinte, como a maioria das vacas vai entrar em monta vazia e solteira, será fácil conseguir uma alta Taxa de Prenhez, o pecuarista fica satisfeito com o índice, acha que está tudo bem, mas o ciclo ruim é reiniciado.

O planejamento de ações antes e durante a estação de monta deve ser bem trabalhado para não permitir estes atrasos. Planejar e executar bem o manejo reprodutivo, acompanhar de perto os animais, se não for possível de forma individual pela dificuldade em grandes rebanhos, pelo menos de forma coletiva, dividindo as matrizes em grupamentos por status reprodutivo, nutricional e sanitário. Realizar um bom plano nutricional e sanitário e, logicamente, manter um controle zootécnico eficiente para conseguir identificar os problemas reais e saber onde agir para corrigi-los.

Entre outras coisas, emprenhar o maior número de vacas já no início da monta deve ser uma das principais metas. Quanto mais cedo emprenharem, mais cedo parem, tendo mais tempo para retornar ao cio e emprenharem novamente na próxima monta. Além disso, bezerros nascidos mais cedo na estação de nascimentos tendem a ganhar mais peso.

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