09/01/2015 - TEMA: Melhoramento Genético

GENÉTICA E PROLIFICIDADE EM OVINOS – PARTE 1.


A lucratividade na pecuária está, sem sombra de dúvidas, atrelada a uma alta eficiência produtiva do rebanho. Não existe alternativa, quem quer ganhar dinheiro na criação de ovinos tem que ter isso em mente. Os custos de produção são cada vez mais altos, apertando a margem de lucro na atividade, obrigando o produtor a ter escala e produtividade. E a meu ver, esta é mais importante do que aquela, pois sem produtividade, quanto maior a escala, maior o prejuízo.

Parto gemelar em ovinos

Produzir borregos é o objetivo de quem está na atividade. Quanto mais borregos, melhor, mais renda para a atividade, maior a otimização de custos fixos, maior a facilidade de venda, maior a capacidade de negociação junto ao frigorífico e maior o poder de compra. São colocações óbvias, mas é sempre bom reforçar conceitos básicos. É isso que faz a atividade ser rentável, cuidar dos aspectos básicos do sistema de produção.

Com este conceito em mente, um dos pontos de maior importância na produção é a eficiência reprodutiva. Três pontos são os mais importantes neste aspecto: o intervalo entre partos, a taxa de fertilidade e a taxa de prolificidade. Ou seja, temos que colocar nossos esforços em conseguir minimizar o intervalo entre os partos de uma mesma ovelha, maximizar o número de ovelhas gestantes ao longo do ano e maximizar o número de cordeiros que nascem a cada parto.

Mas como o artigo trata sobre taxa de prolificidade, vamos falar um pouco mais sobre ela. A taxa de prolificidade é calculada pelo número de cordeiros nascidos a cada parto, em outras palavras, ela mostra a incidência de partos gemelares no rebanho. Por exemplo, se em 100 partos ocorridos nasceram 130 cordeiros, temos uma taxa de prolificidade de 130%, ou seja, nasceram, em média, 1,3 cordeiros por parto. Este é um dos aspectos reprodutivos mais importantes na criação de ovinos, e que a coloca em vantagem com relação à bovinocultura por exemplo. Nesta, além de ser bem menos frequente a ocorrência de partos gemelares, eles são indesejáveis. Quando uma vaca pare dois bezerros, um macho e uma fêmea, ocorre o fenômeno do “freemartinismo”, gerando animais inférteis ou subférteis. Já na criação de ovinos não há este problema, o objetivo então passa a ser o de aumentar a incidência de partos gemelares.

O impacto na produção e na lucratividade do rebanho causado pelo aumento da taxa de prolificidade é muito grande. Considerando que com o mesmo número de ovelhas, o mesmo custo fixo para esta categoria, o mesmo número de funcionários e a mesma infraestrutura, consegue-se um incremento de 10%, 20%, 30% ou até mais no número de borregos nascidos, fica fácil fazer a conta e concluir que os resultados finais são bem mais atraentes.

Mas nem tudo são flores, um cuidado especial que deve ser tomado é com a capacidade das ovelhas aleitarem seus filhos gêmeos. Dois borregos “guachos” é pior do que um bom borrego. Muito pior! E a idéia não é ficar aleitando borregos na mamadeira, até porque os resultados não são bons. Desta forma, aumentar a incidência de partos gemelares exige a seleção de ovelhas que tenham uma boa habilidade materna e sejam boas produtoras de leite. É essencial! A falta deste cuidado já levou muitos técnicos e criadores a optar pelo descarte de ovelhas que apresentam parto gemelar, fazer a seleção inversa, eliminando esta característica do rebanho, uma decisão totalmente equivocada.

Colocadas estas premissas, a pergunta que resta é: como fazer? A taxa de prolificidade está relacionada diretamente ao manejo nutricional adotado e, principalmente, à genética do rebanho. Ovelhas bem nutridas apresentam maior taxa de ovulação, maior fertilidade, o que também reflete na maior incidência de partos gemelares. Técnicas como o Flushing podem trazer algum benefício. Mas vamos aprofundar um pouco mais a visão sobre esse ponto. A boa nutrição permite que a ovelha expresse seu potencial de ovulações múltiplas, potencial este que é definido pela sua genética. Portanto, se no rebanho não existirem muitas ovelhas com esta característica genética, não adianta tentar aumentar a prolificidade somente com este manejo. Você conseguirá um aumento pequeno, de 5% a 10%. Caso o rebanho esteja em um estado nutricional ruim, a correção deste aspecto poderá trazer até um pouco mais de incremento, em torno de 20%. Isto acontece no começo das mudanças, mas depois se estabiliza, não aumenta mais. Um aumento consistente na prolificidade só pode ser conseguido com melhoramento genético. É necessário aumentar o número de ovelhas com esta característica no rebanho. Pensando desta forma o limite é muito mais alto, pois, ao invés de 30 a 40% de ovelhas prolíficas, em teoria, você pode ter 100% delas e alcançar índices excelentes de prolificidade.

Logicamente não é dos trabalhos mais fáceis, nem acontece do dia para a noite. Mas independente do número que acreditamos ser possível alcançar, o caminho certamente é o melhoramento genético.

Na parte 2 deste artigo apresentaremos mais detalhes sobre o efeito genético na prolificidade do rebanho, informações sobre como trabalhar com este objetivo em um programa de melhoramento genético de ovinos. Nos vídeos anexos apresentaremos como utilizar o software para ovinos Pecuária Brasil para identificar animais geneticamente superiores para esta característica.

Parte 2: Genética e Prolificidade em Ovinos - Parte 2


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