02/04/2019 - TEMA: Desempenho Reprodutivo na Bovinocultura e Ovinocultura

UTILIZAÇÃO DO INDICADOR "TAXA DE COBERTURAS" NA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO REPRODUTIVO DE VACAS E OVELHAS


Este indicador, também chamado de Taxa de Detecção de Cio ou Taxa de Matrizes Cobertas, nos mostra a eficiência na realização de coberturas e inseminações nas matrizes disponíveis. É o indicador que apresenta de forma mais rápida as variações do desempenho reprodutivo, justificando a grande importância de seu monitoramento. Não se consegue emprenhar as matrizes se estas não forem cobertas ou inseminadas. Por isso, este é o primeiro indicador de avaliação no processo reprodutivo, para avaliar se o processo está indo bem.

Ele é calculado dividindo-se o número de matrizes que foram cobertas ou inseminadas pelo número de matrizes que estavam aptas a isso, em um determinado período de tempo. Este período pode ser de um mês, calculando-se o índice mensal, ou a cada 21 dias para rebanhos bovinos e 17 dias para rebanhos ovinos (a duração média do ciclo estral). Em nossos softwares nós preferimos o cálculo mensal. Desta forma temos uma maior facilidade de comparar a evolução histórica deste índice ano após ano no rebanho.

Exemplo de cálculo:

- 100 matrizes (vacas ou ovelhas) disponíveis para serem inseminadas ou cobertas

- 40 delas foram inseminadas ou cobertas

- Taxa de Coberturas = 40 inseminadas ou cobertas / 100 matrizes disponíveis = 40%

Matrizes disponíveis compreendem as matrizes vazias (vacas ou ovelhas) que estão paridas há um tempo superior ao Período Voluntário de Espera, somadas às que não estão paridas, entre elas as matrizes jovens (novilhas ou borregas). Em nossos softwares, nos cálculos dos índices, chamamos a este grupo de Matrizes Aptas.

Uma Taxa de Cobertura mensal de pelo menos 50% é o desejável. Ou seja, conseguir cobrir ou inseminar pelo menos 50% das matrizes aptas, disponíveis para isso.

Valores baixos neste índice podem indicar uma ou mais das seguintes situações indesejáveis abaixo, que devem ser corrigidas pelo técnico:

1) Um alto índice de matrizes com atraso no retorno à atividade reprodutiva após o parto, apresentando anestro (ausência de cio).

Isto pode estar associado, em grande parte das vezes, a um manejo nutricional deficitário no pré-parto ou no pós-parto. Um dos principais motivos de anestro pós-parto é a baixa condição corporal (score) ao parto, o que reflete uma condição nutricional inadequada. Após o parto, as matrizes naturalmente entram em um déficit energético, pois apresenta um reduzido consumo de alimento e uma alta necessidade de energia para produção de leite. Elas precisam de reservas energéticas para atender esta demanda e para manter a atividade reprodutiva. Caso contrário, a atividade reprodutiva será comprometida, em preterimento à atividade leiteira.

2) Baixa eficácia na detecção e aproveitamento de cios, em propriedades que adotam inseminação artificial e/ou monta controlada.

A detecção de cios é uma tarefa de grande importância, sendo essencial que seja realizada eficientemente para o sucesso do processo de inseminação ou monta controlada. Se o cio não é identificado a matriz não é inseminada. O uso de bons rufiões, horários corretos de observação, funcionários treinados para reconhecer os sinais de cio, matrizes em bom estado sanitário, ambiente adequado para que elas apresentem os sinais de cio, entre outros fatores devem ser observados.

Uma situação que parece ser até inconcebível, mas que é bastante frequente em rebanhos mal administrados, é a falta de um reprodutor no lote de matrizes aptas. São rebanhos que não utilizam inseminação artificial ou mesmo monta controlada, porém, possuem lotes de matrizes que deveriam estar em monta, mas não há reprodutores com elas. Ocorre um significativo atraso na concepção destas matrizes por um simples erro de manejo.

3) A ocorrência de patologias reprodutivas que provocam anestro nas matrizes.

Alguns distúrbios reprodutivos, como piometra, cistos ovarianos, entre vários outros, são responsáveis por causar anestro nas matrizes. Portanto, também são importantes causas de uma baixa Taxa de Cobertura. O acompanhamento veterinário é essencial para identificar a presença destas patologias e implementar as medidas curativas e preventivas no rebanho.

O uso de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), com a aplicação de protocolos hormonais, é uma tática muito utilizada para aumentar a Taxa de Coberturas. Quando bem aplicada, consegue-se aumentar o número de coberturas e inseminações, principalmente em matrizes que acabaram de sair do PVE – Período Voluntário de Espera – após o parto, acarretando em uma maior Taxa de Prenhez e um menor Intervalo entre Partos.

Na figura abaixo é apresentado um gráfico do LACTAS, nosso software on-line, mostrando a Taxa de Cobertura mensal de um rebanho leiteiro ao longo do ano de 2018. Verifica-se a expressiva melhora no segundo semestre do ano. Este bom resultado nas coberturas refletirá maior número de partos e lactações jovens no ano de 2019, com consequente incremento na produção leiteira.

Taxa de Coberturas - Lactas

 

Na próxima figura é apresentada uma tela do Pecuária Brasil, nosso software de gestão de funcionamento local, sem necessidade de internet. A tela apresenta a evolução da Taxa de Coberturas (aqui chamada de Taxa de Matrizes Cobertas) no ano de 2017 e no primeiro semestre de 2018 em um rebanho leiteiro. Verifica-se que no ano de 2017 os índices foram muito bons, enquanto houve uma piora no primeiro semestre de 2018. Cabe ao técnico que acompanha o rebanho avaliar as possíveis causas e implantar as medidas necessárias.

Taxa de Coberturas - Pecuária Brasil

 

É importante salientar que este é um indicador que deve ser avaliado constantemente, pois ele fornece uma visão quase que em tempo real do desempenho do rebanho, mostra a situação do momento, permitindo uma intervenção quase que imediata quando necessária. Uma queda neste índice de um ciclo para o outro, ou de um mês para o outro, já deve alertar aos administradores e técnicos do rebanho para que tomem as devidas providências, antes que a situação seja mais comprometida.


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